Essencial vs Acessório
A notícia chegou à redacção a meio da tarde. No final da mesma, era publicada no site de outro semanário local. Hoje, é a vez de um diário nacional que publica: «Ex-autarca desvia milhões a clientes». Porquê ex-autarca, quando é empresário e os factos que motivam a notícia são as alegadas irregularidades na empresa de contabilidade que possui?
A questão que se me coloca, enquanto leitor, é que sou induzido a uma eventual ligação à autarquia (não sou o único, basta ler os comentários publicados no site do diário). Ex-autarca (foi vereador – segundo informações recolhidas – há cerca de 20 anos), político(a), corrupção. E, assim, lá se acentua o descrédito, na classe e no nosso país.
Tenho pouco tempo disto, portanto, não pretendo ensinar quem tem mais experiência (e merece todo o respeito). Ainda assim, parece-me que o que foi puxado para lead deveria surgir no final, em contextualização (uma inversão da pirâmide invertida, portanto). Será que substituindo ex-autarca por empresário não seria mais fiel?
PS: Ok, a expressão adequa-se ao título em questão, é mais “apelativa”, portanto, vende mais. Mais: a pressa – diário é diferente de semanário – é ainda inimiga da perfeição, portanto, o tempo condiciona (e muito) o trabalho do jornalista. Por fim, existem os editores.
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Autor | Author Pedro JERÓNIMO |
There are 1 Comments to "Essencial vs Acessório"
A tua critica está certíssima. Mas acho que é mais que pressa: é sensacionalismo mesmo. Graças à Ângela percebi que o xis do “Correio da Manhã” não são os conteúdos das notícias mas os embrulhos: títulos, leads, antetitulos, etc.