Evangelização 2.0*

Num período em que o uso da internet continua a aumentar, a Igreja reflecte, no Dia Mundial das Comunicações Sociais (24 de Maio) sobre as “Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”. Tema pertinente, sobretudo se olharmos para o nosso país e, por exemplo, para uma ferramenta como o Magalhães. Um computador portátil, versão “júnior”, mediatizado mais do que “quanto baste” e apresentado como uma necessidade rumo ao “Portugal hi-tech”, do Plano Tecnológico. Coloquemos, então, à frente das crianças, com 6 ou 7 anos de idade, um computador, em muitos casos com acesso à internet. Quem educa para a utilização? Os pais? Uns não sabem, porque não têm conhecimentos de utilização, outros agradecem, pela “babysitter virtual”.

Caminhamos, portanto, para uma “geração digital”, como lhe chama Bento XVI, para a qual também é necessário um “novo foro para a evangelização”, como diria João Paulo II. A internet e os telemóveis, com as sms, são exemplos de um paradigma existente não só nos adolescentes, mas também já nas crianças (ainda há dias, na televisão, a propósito das provas de aferição, quantas não se viam com um “celular” nas mãos). Vive-se o instante, o virtual, o efémero. Um universo de mutações na percepção da realidade e nas relações humanas. A família, célula base da sociedade, deveria ser a primeira a regular esses fenómenos, sob pena de fragmentação. Que perspectivas?

O Vaticano, entretanto, deu o exemplo na utilização de novas formas de evangelizar. Criou o seu próprio canal de vídeo na internet (youtube.com/vatican) e entrou numa das redes sociais mais populares da actualidade (twitter.com/benedictoxvi). Formas de acompanhar o Papa, aproximando-o dos cibernautas e assim dar-lhes uma palavra de esperança, num espaço que por vezes serve aos utilizadores de fuga à realidade. Em Portugal, há quem já tenha seguido as pisadas do Vaticano (youtube.com/dioporto ou twitter.com/diocesealgarve), porém, em número reduzido (falta de atenção, de interesse, de meios?).

Se até Bento XVI já reflectiu que importa “assumir com entusiasmo” a “evangelização do continente digital”, de que esperam as dioceses, movimentos e obras da Igreja, já para não falar na imprensa de inspiração cristã, para, também eles, utilizarem, as ferramentas de comunicação que a internet privilegia?

* Escrito para O Mensageiro (21/05/09)

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Autor | Author
Pedro JERÓNIMO

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