Os factos, as notícias e os jornalistas
“Uma mentira repetida muitas vezes pode parecer verdade” é o título dado pelos autores do blog não-oficial da U. Leiria, a um artigo que visa a comunicação social em geral e os jornalistas em particular. Importa referir que apesar de vir citado no referido artigo, não subscrevo o teor do mesmo.
“Os factos, as notícias e os jornalistas” foi escolhido para título deste artigo, precisamente pela ordem que devem ser vistos. Dá-se um determinado acontecimento, cujos factos reportados resultam numa notícia, tratada por um profissional. O jornalista tem um papel importante no processo, porque é através dos “seus óculos” que os factos são reportados. Porém, mais importante do que o mensageiro, é certamente a mensagem.
Dupla introdução antes de referir o meu último artigo, escrito na qualidade de leitor de jornais, que no dia anterior esteve no referido local, a título profissional. Para aqueles que estão fora da realidade jornalística, permitam-me que deixe algumas notas.
Tal como em qualquer área, há profissionais bons e outros que nem por isso. Se formos para a esfera do futebol, há jogadores brilhantes e medianos, tal como há adeptos correctos (verdadeiros exemplos do desportivismo), e outros que “não, obrigado”. Isto para dizer que a crise também chegou ao jornalismo, onde títulos se fecham e despedimentos colectivos se verificam. O jornalista é um profissional a quem cada vez mais é exigido (já quanto ao retorno…) e integra uma das profissões consideradas de desgaste rápido – também os profissionais de saúde –, onde o stress é permanente
Num jogo de futebol, por exemplo, por vezes tem que encher uma ou duas páginas de jornal com crónica, classificação de jogadores, declarações e outros extras, por vezes em tempo recorde (falando em jornais). Não há máquinas!
Já para não falar que há instituições, clubes, que não facilitam (no sentido de auxiliarem) a vida a estes profissionais (veja-se o caso do Benfica com a TVI, por exemplo). O número de adeptos presentes num estádio é uma contabilidade que compete a quem gere o mesmo, em colaboração com a assessoria de imprensa do espaço, ou do clube que lá joga, que por sua vez transmite esses dados aos jornalistas (logicamente que estes não possuem meios para, rapidamente, contabilizarem os adeptos presentes).
Importa ainda referir que do jornalista, tal como do árbitro, espera-se que ajuíze (no caso, reporte) correctamente os factos. Logicamente que quem está de fora, reagirá de forma diferente: a uns agradará, a outros não.
Para terminar, fica a dica: se um leitor, cidadão ou clube se sentir visado num artigo jornalístico, pode e deve manifestar-se através dos mecanismos legais para o efeito, como os direitos de resposta e/ou rectificação (Lei de Imprensa, artigos 24.º a 27.º).
Fica ainda mais uma sugestão de leitura, designadamente o Estatuto do Jornalista, também importante para leitores, ouvintes e telespectadores, para que possam exercer, de forma consciente e correcta, o seu papel de principais reguladores da actividade. Afinal de contas, são eles os destinatários do trabalho dos profissionais da comunicação social. Sem público, sem audiência, para quem jornalistas?
PS: Acrescento o vídeo que se segue, com parte do testemunho de um jornalista…
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Autor | Author Pedro JERÓNIMO |