Imprensa e jornalismo de proximidade

“A imprensa regional debate-se com outro género de problemas mais graves, como o facto de ter concorrência desleal ao nível de alguns jornais, normalmente propriedade de grupos de interesse religioso ou mesmo político que trabalham com curiosos da comunicação.”

A citação é de uma jornalista que teve a amabilidade de responder a um inquérito que enviei, no âmbito do doutoramento. Curioso, porque agora foi a vez de ser inquirido, para a tese de mestrado – jornalismo e comunicação – de um colega, que questiona se “acha que a produção editorial dos média está dependente dos determinantes económicos?” Tem piada porque recordei-me logo da resposta indicada no inicio, que não deixa de ser irónica!

Antes de prosseguir, convém fazer uma declaração de interesses: trabalho num título de imprensa doutrinária (Igreja Católica), mais concretamente, no semanário O Mensageiro, o mais antigo (95 anos) do distrito de Leiria.

Posto isto, a primeira questão: “concorrência desleal”? Basta dizer que do ponto de vista comercial, é o que menos trabalha, isto porque, segundo os seus responsáveis, “o nosso interesse não é esse”. E qual é? Tendo como missão a evangelização, é natural que o referido título de inspiração cristã queira ser fiel à sua linha editorial, que passa por estar em comunhão com o magistério da Igreja. Portanto, não procura o lucro, mas a fidelidade à sua doutrina. Mais: não dá muito espaço ao tema política, à excepção de apelar os seus leitores ao espírito cívico (votarem) e divulgar o resultado das eleições. Não significa com isto que seja exclusivamente religioso nas suas temáticas (sociais, culturais e desportivos também têm espaço). Também não está em banca, logo, não “rouba” espaço a “concorrentes”. Por outro lado, também não pertence, como facilmente se percebe, a grupos empresariais, que entre outras áreas, actuem na dos media. Portanto, não mistura interesses económicos com editorais.

Por último, um pequeno exercício: olhe-se, a partir do parágrafo anterior, para a realidade da imprensa, na referida região (e facilmente se perceberá o porquê da ironia referida).

PS1: Quem se der ao trabalho do referido, compare, já agora, a formação dos profissionais. Só por… curiosidade.

PS2: Restantes jornais, no município de Leiria: Região de Leiria, Jornal de Leiria, Diário de Leiria e Voz do Domingo (não tem website).

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Autor | Author
Pedro JERÓNIMO

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There are 2 Comments to "Imprensa e jornalismo de proximidade"

  • Carla says:

    Boas caro colega! Curiosamente também trabalho num semanário regional de seu nome “Mensageiro”, mas este é de Bragança. Infelizmente não me parece que estejam a ser seguidos os mesmos princípios e, pese embora aqui só trabalharem jornalistas profissionais, também me parece que informar não será a prioridade já que somos apenas duas pessoas para cobrir todo o distrito…. É irónico e falacioso até…

  • Olá Carla e obrigado pela continuidade ao debate. Importa referir que a questão aqui não se trata de defender qualquer tipo de imprensa. A ironia está nos “telhados de vidro” de quem tece determinados comentários. E a “missa nem sequer vai a metade”, isto é, há muita informação que naturalmente não exponho aqui, que ajudaria a sustentar o que digo.

    Não pondo “as mãos no fogo” por ninguém, porque também admito que não suceda o mesmo em todo o lado, ainda assim parece-me que o tipo de imprensa para o qual trabalhamos, é mais fiél à sua linha editorial, que outros. E não quero com isto dizer que é a melhor, porque também sou crítico em relação, por exemplo, à inércia que a invade.

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