Reportagens sob(re) investigação
OS CASOS que são, rapidamente deixam de o ser. Simplesmente caem no esquecimento. São os novos paradigmas do jornalismo, tal como foi aflorado na última sessão do PhD. Um deles está directamente relacionado com a crise que se vive no sector, que leva a despedimentos, por um lado, e a novos processos de produção (jornalista como “canivete suíço”), por outro. Parece-me ser um factor decisivo – ensino também – no empobrecimento da qualidade do jornalismo e, em última instancia, da democracia.
A este propósito, deixo um excerto do que escreveu o jornalista Paulo Pena, citado aqui. Visão acutilante, de leitura obrigatória.
“Andamos mesmo a ser pouco cépticos. Tão pouco cépticos que já é altura de pararmos para pensar se não andaremos a ser coniventes e acéfalos. Para mim, a separação de poderes dá a resposta ao dilema: os jornalistas devem investigar, e não fazer de caixa de ressonância; os investigadores judiciais devem ser avaliados pelos resultados das suas investigações e não pela comoção pública que geram as suas quase-descobertas; e os políticos devem ser julgados pelas suas acções e não pela sensação de verosimilhança que gostamos de associar entre uma discordância política e uma falha ética. Há políticos honestos de quem discordamos e políticos corruptos com quem concordamos.
|
Autor | Author Pedro JERÓNIMO |