Incentivo à leitura de imprensa regional e local

IMPORTA distinguir e actuar. “O Gabinete para os Meios de Comunicação Social promoveu, durante o ano de 2009, o desenvolvimento de um trabalho no âmbito da avaliação das políticas públicas para o sector da comunicação social, designadamente, da política de porte pago/incentivo à leitura. Para o efeito, no âmbito do Protocolo de Cooperação Técnica e Científica celebrado com a Universidade do Minho, a equipa do Projecto Mediascópio, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade daquela Universidade, desenvolveu uma proposta de Modelo de Avaliação da Política de Incentivo à Leitura, documento cuja relevância exige a realização de uma sessão de apresentação pública com o objectivo de garantir a participação de todos os interessados e a incorporação dos respectivos contributos no desenvolvimento do modelo de avaliação, por forma a preparar, a curto prazo, a sua implementação”, revela o director, Pedro Berhan da Costa.

Adenda:
1. Distinguir imprensa local da regional (se, por um lado, há títulos regionais cujos conteúdos são tudo menos jornalísticos – como refere o estudo –, por outro, há jornais locais, com melhores conteúdos, mas que costumam ‘ficar de fora’ de análises e apoios);
2. Reforçar, efectivamente, a análise de conteúdos e de enquadramento, em detrimento de elementos quantitativos (para além do referido, há títulos que só existem porque são detidos por autarquias/fábricas de igrejas, nomeadamente, em pequenas localidades, que os publicam para promoção das gentes e costumes, importante para preservação da memória).
3. Avaliar quem produz (será sensato exigir a todas as publicações, sobretudo as locais, a presença de jornalistas, profissionais, nos seus quadros?);
4. (Espaço em aberto, para mais reflexões…)

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Pedro JERÓNIMO

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There are 12 Comments to "Incentivo à leitura de imprensa regional e local"

  • Nos últimos anos as políticas de incentivo à leitura têm vindo a provocar mazelas no seio da imprensa. Por exemplo, não será caminho importante avaliar apenas se a publicação tem jornalistas. É pertinente perguntar que tipo de jornalistas, o que fazem nos seus projectos? Não sendo defensor da subsídio-dependência porque considero que não é esse o caminho a seguir, arrepia-me só de pensar que o dinheiro dos nossos impostos apoia a grande imprensa regional (papões), mas existem projectos locais, credíveis e com qualidade, tantas vezes superior e que nada recebem. Dinamizo um jornal na freguesia de Colmeias (NOTÍCIAS DE COLMEIAS) que assinalou em Dezembro de 2009 os seus dez anos de existência e já há dois anos que não contamos com qualquer apoio do Estado Português. Muito sinceramente acho que existe injustiça e falta de equidade na distribuição dos incentivos. Em primeiro lugar há que que distinguir imprensa regional da local. Depois deste trabalho ser elaborado, seria elementar analisar estes projectos. Têm qualidade? A sua área de implantação tem economia para sustentar estes media? Que tipo de apoios a dar às pequenas publicações para contratarem jornalísticas profissionais? (este sim poderia ser um óptimo incentivo à leitura)
    Sou defensor da qualidade. Nenhum media deve querer ser subsidiado se não corresponder aos padrões qualitativos. Por outro lado, os grandes projectos de imprensa regional precisam mesmo de serem subsidiados? Se são grandes projectos, se operam em mercados superiores, qual é a razão justificativa para receberem apoios públicos?
    Estes e outros dilemas podem e devem ser analisados. Aliás, o quadro de apoios concedidos, apresentado na página nº 23 desse referido estudo elaborado pela Universidade do Minho, no meu entender diz-nos tudo, ou praticamente tudo… Veja-se o número de publicações no ano de 2001 que foram apoiadas pelo Estado mas “contemple-se” os valores muito superior em euros no ano de 2002, com uma forte tendência de redução do número de empresas contempladas nos anos seguintes. Ou seja, nos últimos anos reduziu-se o número de projectos que receberam incentivos do Estado mas aumentou-se significativamente o montante dos subsídios. Não será dar mais a quem já tem muito???

  • Joaquim, primeiro olhar para a tabela que referes indus em erro, isto porque são usadas duas unidades: escudo ($) e euro (€). Isto significa que os apoios têm vindo a reduzir de ano para ano.

  • Caro Pedro: Não é a diferença de escudos e euros que alteram os valores superiores a que me refiro. Passo a explicar. De facto os fundos do Estado reduziram em termos de valor mas em termos de proporção até aumentaram, tendo em conta o número de projectos contemplados. Mesmo assim, numa outra perspectiva, continuo a achar que houve “aumento” porque muitos desses projectos de imprensa regional apoiados pelo Estado (nossos impostos), não o mereceram, não o merecem. Seria lógico e importante reduzir nestes e dar parte do bolo a quem obviamente não pode competir, a todos os jornais que são memórias de certas regiões do país e que não estão no mesmo pé de igualdade para terem por exemplo um, dois ou três jornalistas profissionais, requisito determinante para o incentivo à leitura. Pois bem, o quadro teve menos empresas contempladas e redução de dinheiro disponível. Mas, em termos proporcionais e destacando o facto de que algumas das empresas contempladas, no meu entender, não deveriam ver a cor do vil metal, ENTÃO HOUVE DE FACTO MAIS DINHEIRO INVESTIDO EM DETERMINADOS PROJECTOS. Que se faça distinção de uma vez por todas, a imprensa regional da imprensa local. Depois deste trabalho feito que se apoie para duas realidades bem diferentes.

  • Estive presente num encontro onde estavam vários responsáveis pela comunicação social local e regional, promovido pela ERC. A determinada altura, um director de um jornal, depois de se queixar dos atrasos nos pagamentos por parte das Câmaras Municipais, explicou o segredo da sua publicação: “o que nos salva é que, felizmente, ainda vão morrendo bastantes pessoas e a necrologia vai dando para pagar algumas contas”.

    A aposta na qualidade seria o único critério bem definido para atribuir estes apoios ao jornalismo de proximidade.

    Alimentar publicações que são construídas à volta da secção de necrologia; que servem de veículo para alimentar egos de algumas personalidades públicas ou, simplesmente, para captar as verbas destinadas à publicidade, não me parecem bons critérios.

  • Caro Paulo Barbosa, subscrevo plenamente o que refere no segundo parágrafo, com uma ressalva: o ideal seria existir uma única dependência, por parte dos jornais, isto é, os leitores.

  • O projecto que tentamos implementar através da Revista Pormenores – uma publicação sobre todo o Alentejo, com distribuição nacional, e que estamos também a procurar levar junto das comunidades de emigrantes portugueses espalhados por todo o mundo – depende apenas de 5 páginas de publicidade para ser um projecto totalmente viável a nível económico. A publicação tem 84 páginas.

    A nossa aposta é oferecer aos leitores uma publicação com conteúdos e não um catálogo de publicidade.

  • Já passei pelo vosso website, onde pude folhear a revista. É caso para dizer: Pormenores muito interessante(s)!

    Quanto a 5 páginas de publicidade em 84, é manifestamente pouco. Qual é a vossa principal fonte de financiamento?

  • A publicidade, obviamente.

    Mas queremos conseguir a tal dependência que falavas – a dos leitores.

    Se a publicidade pagar, pelo menos, a impressão, o leitor pode ter um papel decisivo.

  • Caro Paulo, parece-me que esse seria o ideal de dependência, isto é, uma reciprocidade entre jornalista(s) e audiência. Ambos ficavam a ganhar.

  • Jaquim Primo says:

    Nem tem nada que ser “acarinhada” ou “apoiada”, mas também não tem que ser atacada de morte…
    Então se no tempo do Salazar havia uma fraquia única de dois tostões, importância igualmente diluível nos preços de venda e assinatura, porque é que nunca houve regulação governamental nos custos de expedição de jornais, que são muito inflaccionados para o peso até 200gr, sem descontos de quantidade nem nada, numa empresa do próprio estado?
    Num sector já liberalizado onde já há operadores a prestar serviços quase a metade do preço e com descontos, etc? E isto realmente para o estrangeiro, porque para o território nacional, nem devia existir porte pago.
    E os outros apoios em que existiram abusos impunes, a comprar equipamentos muito acima das necessidades, porque o Estado pagava.
    Se um jornal hoje não dispõe de 500€ para comprar um mísero PC, caramba, mais vale fechar.
    Há sim é que criar condições que vão de encontro à sustantabilidade de ambas as partes, e aqui sim, beneficiar os jornais que tem bastantes assinantes pagantes no estangeiro, os que são na prática mais prejudicados com isto, além de não ser saudável para os jornalistas profissionais que neles trabalham obrigatóriamente por lei.
    A forma como foi implementada a lei, e isto porque o Cavaco não promulgou o diploma original, então aí tinha sido um desastre total e um erro crasso.
    Afinal, sempre ainda são 6 milhões por dia que os emigrantes mandam de remessas para cá e merecem qualquer coisita pouca em troca…

    Estatuto da Imprensa Regional

    Decreto-Lei n.º106/88
    de 31 de Março

  • [...] isso, aqui ficam alguns contributos. ▶ Nenhuma resposta /* 0) { jQuery('#comments').show('', change_location()); [...]

  • [...] é o retomar de uma velha questão: necessidade de diferenciar imprensa regional de imprensa [...]

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