Memorize: gestores de rede e hiperlocal
QUINZE anos passaram. Que balanço e que perspectivas para o jornalismo na web, em Portugal?
Perdida a primeira intervenção – Hélder Bastos – do dia, ouviu-se Joaquim Fidalgo questionar se o uso dos novos media levaria a uma nova ética. No seu entender, falamos de “diferentes práticas e diferentes actores”. À parte das questões tecnológicas, destacou ainda a importância do “jornalismo como actividade cívica”.
A ‘jogar em casa’, João Canavilhas completou a apresentação inicial, com indicadores interessantes, não só dos 15 anos de webjornalismo em Portugal, como também de algumas das tendências (foto). Na apresentação, breve, o investigador apontou aquilo que entende como o futuro dos conteúdos, que deverão ser “multimediáticos, instantâneos, participados, multiplataformas, hiperlocais e hiperpersonalizados”.
Já na ronda de questões, Hélder Bastos referiu que “existe um grande desnível entre as universidades [formação em ciberjonalismo]”, enquanto que João Canavilhas sublinhou que, ao nível da produção de conteúdos, a “transparência se tem sobreposto à objectividade”.
Após a pausa para almoço, foi tempo de olhar para a realidade ibero-americana, de onde ressalvaram dois tópicos: a importância dos gestores de rede (nova oportunidade de trabalho) e do jornalismo hiperlocal. A primeira pessoa a fazê-lo foi Concha Edo, ao referir que “o hiperlocal terá um grande futuro”. Antes, e enquanto falava sobre a realidade espanhola, questionou a prioridade que se dá, por vezes, à instantaneidade, em detrimento da contextualização: “Onde pára a reflexão, o jornalismo de investigação?”.
Seguiu-se Sónia Padilha, que apresentou os resultados de um estudo comparado entre cinco webjornais da América do Sul, onde se verificou uma similaridade de apresentação e actuação.
Já Marcos Palácios, referiu que “a produção de versões online tem se mostrado uma saída viável para a sobrevivência (e possivelmente multiplicação) de jornais locais, que tradicionalmente apresentam dificuldades crónicas de viabilização económica”. Ainda ao dar uma panorâmica do webjornalismo brasileiro, sublinhou que “o hiperlocal ainda é pouco explorado”, sobretudo por parte dos “grandes jornais” que, alegando motivos económicos, “não investem”.
O último painel do dia foi dedicado à partilha das experiências de Manuel Molinos (JN on-line), que destacou o facto de toda a produção multimédia do diário ser própria, Luísa Melo (PortugalDiário), que avançou ter proposto, recentemente, a criação de um gestor de redes IOL, e, por fim, Pedro Brinca (Setúbal na Rede), que para além de uma retrospectiva dos 12 anos de vida do primeiro jornal português exclusivamente digital, ficou a saber-se que o pioneirismo estende-se a toda a península ibérica.
As principais incidências pondem ser (re)vistas em #jweb15 (fotos, do LabCom, aqui).
|
Autor | Author Pedro JERÓNIMO |

There are 2 Comments to "Memorize: gestores de rede e hiperlocal"
Webjornalismo: O futuro será de convergência com plataformas móveis
Covilhã, 04 mar (Lusa) – Os primeiros 15 anos de ciberjornalismo em Portugal ficaram marcados por um “impasse e pouco investimento” nos meios, caminhando hoje para a “convergência de conteúdos”, sobretudo para dispositivos móveis, disseram hoje especialistas à agência Lusa.
O tema esteve hoje em debate na Universidade da Beira Interior na conferência “Jornalismo na Web em Portugal, 15 anos”, organizado pelo Laboratório de Comunicação On-line da instituição.
“O balanço geral dos primeiros 15 anos de ciberjornalismo no nosso país é de um impasse”, disse Hélder Bastos, um dos oradores no evento, docente da Universidade do Porto e pioneiro do jornalismo na Internet em Portugal.
“Houve pouco investimento e pouco risco por parte das empresas, que tiveram uma atitude algo conservadora”, sublinhou durante a sua intervenção.
Por outro lado, considera que houve também “alguma desconfiança e falta de adaptação por parte dos jornalistas”.
Para o futuro próximo, Hélder Bastos acredita que a produção de conteúdos para plataformas diferentes será a norma e que os jornalistas vão ter que se adaptar a uma nova realidade.
“Os jornalistas vão ter que fazer um esforço maior de adaptação a esta realidade. Está a haver resistência, mas não podem ter uma atitude monolítica, de só fazer texto ou não fazer isto ou aquilo”, acrescentou.
Para Joaquim Fidalgo, docente da Universidade do Minho, a convergência pode trazer ameaças à ética da profissão.
“As fronteiras que tradicionalmente estavam bem estabelecidas, por exemplo entre as áreas editorial e comercial, estão cada vez mais porosas e há uma pressão cada vez maior para que surjam conteúdos híbridos”, sublinhou.
Para além do esbatimento de fronteiras, o imediatismo também levanta questões éticas.
A necessidade de que se esteja permanentemente a atualizar informação na Internet também tem implicações éticas.
“Posso estar a mandar para o ar uma primeira informação que num jornal normal esperaria até saber um pouco mais. Hoje a tendência é essa: mandar para o ar e depois continuar a investigar, mas às vezes há o risco de colocar no ar um boato ou rumor”, disse Joaquim Fidalgo à agência Lusa.
Por outro lado, um modelo económico que suporte o webjornalismo é ainda uma incógnita.
“Continuamos a ter o mesmo problema que é a falta de um modelo económico que possa suportar a evolução do jornalismo que temos na web”, referiu João Canavilhas, docente da Universidade da Beira Interior e investigador de webjornalismo.
“Um dos modelos que pode vir a ser explorado tem a ver com o jornalismo móvel. O trabalho de investigação que estamos a desenvolver passa por adaptar os conteúdos a estes dispositivos que estão sempre com as pessoas”, concluiu.
LFO.
*** Este texto foi escrito de acordo com o novo Acordo Ortográfico ***
Apresetações de Hélder Bastos e João Canavilhas…