Os media (também) são o que fazemos deles

“ENGENHEIRO dispara com neta ao colo” lia-se, a semana passada, no diário pago com mais audiência em Portugal. No respectivo site era possível ver, a partir de um vídeo amador, os factos que motivaram tal título. Depois do jornal, foi a vez de um canal de televisão, privado, replicar as ditas imagens. Entretanto, pela Internet, o tema gerou discussão, entre leitores/telespectadores, jornalistas ou estudantes de jornalismo. Muitos condenaram, outros averiguaram (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), o que outros apelidaram de “perseguição política” (director do diário).

Este é um entre muitos exemplos daquilo que há uma semana ouvi chamar de “jornalismo de matilha” – os media andam atrás uns dos outros – ou, mais recentemente e sobre este tema, de “jornalista estafeta” – que recolhe e entrega, mecanicamente. Correio da Manhã e TVI, são os media que falei atrás. É fácil acusá-los, ou a outros, de exageros. Convém, porém, recordar que são ambos líderes de audiências, nos respectivos meios. E quem lhas dá?

Por outras palavras, as de Luís Santos, investigador da Universidade do Minho, ao Página1:

Os jornais, as televisões, as rádios e os sites de informação online só vão valorizar a relação com as suas respectivas audiências quando estas se derem, de forma coerente e consistente, ao trabalho de querer intervir no processo de criação do tal discurso comum. (…) A culpa não é toda deles; parte substancial é nossa.

Publicado na edição do semanário O Mensageiro, 3 de Março de 2011.

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Autor | Author
Pedro JERÓNIMO

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