Que significado têm os media na nossa vida?
O SEU dia-a-dia sem notícias. Consegue imaginar? Como saberia, por exemplo, que os estabelecimentos comerciais onde habitualmente se dirige, iriam encerrar temporariamente? Ou que o centro de saúde iria realizar sessões de rastreio? Ou ainda que o seu clube se tinha qualificado para a final da taça? Ou… É para ajudar responder a estas e outras questões que vamos formulando, consciente ou inconscientemente, que existem os media. Aproximam-nos daquilo que nos é próximo, mas que nem sempre é do nosso conhecimento.
O processo de transição da televisão analógica para a televisão digital terrestre é exemplo recente. A angústia que terá sido para algumas pessoas, sobretudo idosas e/ou a residirem em localidades isoladas, ficarem temporariamente privadas do noticiário ou daquele programa preferido. Ter-se-ão sentido desancoradas, isoladas… sem referências que ajudem a dar sentido à sua existência. É também esse o papel dos media e dos seus profissionais: recolher, editar e divulgar determinada informação, cujo o resultado final se conhece como notícia(s). E essa é uma necessidade social, que vem desde a pré-história (as pinturas rupestres eram um meio de comunicação). Actualmente, é o jornalismo que assume essa tarefa de construção social da realidade (diria Gaye Tuchman). Os jornalistas apresentam-nos, sobretudo através dos media, essa mesma construção, que dificilmente será individual, feita isoladamente por um jornalista. É sobretudo colectiva, porque envolve fontes, jornalistas, editores, os media e o público (quem é que, perante determinado acontecimento, não contactou já, uma vez que fosse, jornais, rádios, televisões ou um jornalista conhecidos?).
Com o advento da internet, mas sobretudo das redes sociais online, começamos a deixar de ouvir ou de falar em media de massas. O motivo é porque aqueles perderam o “monopólio” da comunicação, isto é, deixaram de ser os únicos a transmitir a informação, para um público que a consome passivamente. Actualmente, também o cidadão comum pode ter o seu próprio público (que podem ser os seguidores da sua conta de Facebook, por exemplo) e até ser ele mesmo o produtor de conteúdos. Ainda assim, por muita informação que partilhe, dificilmente conseguirá fazer o que os jornalistas são treinados e pagos (os que são) para fazer. Já para não falar que têm um código ético e deontológico que devem seguir, coisa a que bloguers ou utilizadores de redes sociais online não estão obrigados. Espera-se, portanto, que seja mais difícil encontrar informações erradas ou falsas nos media mainstream (jornal, rádio ou televisão) do que em blogues, Facebook’s ou Twitter’s. Exemplos da prática jornalística que ajudam a ilustrar esta questão são os processos de verificação e cruzamento da informação, bem como o exercício do contraditório.
Então e como poderíamos tornar os media mais significativos? Esta questão, juntamente com a do título, são o mote da iniciativa “Um dia com os Media” (3 de Maio de 2012), para o qual se apela à participação de todos (sem excepção). Afinal, falamos de um meio através do qual também é construída e pelo qual construímos a realidade. Como contributo para a resposta, diremos que serão tanto mais significativos quanto mais o público se relacionar com eles e vice-versa. E você, caro leitor, o que considera que os media poderiam fazer para se tornarem mais significativos para a sociedade?
Participe em www.literaciamediatica.pt/umdiacomosmedia/… ou contacte este mesmo jornal, que certamente apreciará as sugestões que tiver para ele.
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No ponto . Investigação e empreendorismo são sinónimos do Instituto Politécnico de Leiria. As recentes criações de um kit low cost para cadeiras de rodas e da ESTG TV são apenas dois exemplos de quem olha mais além. Que(m) mais se seguirá?
Em banho maria . Crise deve ser a palavra mais gasta nos últimos anos. Intimamente ligada a ela constuma estar, frequentemente, o pessimismo. Porém, é também nos períodos conturbados que surgem as oportunidades. Aproveitá-las é uma questão de atitude. Qual será o próximo passo?
Requentado . A comunicação tem sido uma das “vítimas” da crise económica, seja ao nível dos media ou de outros sectores. Redacções que são esvaziadas de jornalistas, empresas e organismos que deixam de comunicar com o seu público, são “o pão nosso de cada dia”. Uma sociedade menos informada, é o que se quer?
“Advogado do Diabo” in Jornal de Leiria, 22 de Março.
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Autor | Author Pedro JERÓNIMO |